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[NOVEMBRO GESTOR] Confira a entrevista com a diretora Veranice

 

No mês de homenagem ao Dia do Diretor, a Secretaria Municipal da Educação (SME) realiza a campanha Novembro Gestor, para compartilhar experiências de diretores dos 6 Distritos de Educação.  

Movida por desafios e por trabalhar em equipe, a diretora Veranice Franco, da Escola de Tempo Integral (ETI)Professor Antônio Girão Barroso (Distrito 6), valoriza a formação humana proporcionada pela escola pública. Ela, que atua como gestora escolar há 5 anos, começou como professora desde 1994, ou seja, são 24 anos atuando na educação. Veranice é a primeira entrevistada da série Novembro Gestor.

Confira a entrevista completa:

- Quais características de sua personalidade melhor a definem hoje?

Gosto de formar grupos. Eu milito muito bem trabalhando em equipe. Gosto de ver a união entre as pessoas e tenho convicção de que esse método faz o trabalho dar certo. Tenho um bom poder de liderança e isso é muito importante quando a gente está na gestão, pois acaba sendo muito determinante. Sou movida a desafios. Então, a gente acaba se cobrando mais, fazendo mais e procurando sempre o melhor.

- Como você agrega e traz essas características para o ambiente escolar? 

Decidi ouvir mais, para conseguir influenciar os professores e os alunos para o bem. Acho que o ouvir é a palavra-chave para qualquer gestão, pois é quando a gente faz as coisas darem certo. Tudo o que nós vamos decidir é discutido em grupo, todas as decisões são pensadas em benefício de todos. Quando a gente escuta e tem a sensibilidade para entender o que outro precisa, a gente acaba nem tomando muitas vezes as nossas próprias decisões, mas fazendo aquilo que é melhor para o bem comum. Essa é uma coisa que eu tenho aprendido todos os dias.

- O que a motiva como profissional a seguir nesta carreira desafiadora? 

O que me motiva é ter a certeza absoluta de que a única alternativa para transformar esse mundo é a educação. Não desistir de ser educador, é não desistir dos alunos, é não desistir da humanidade e é não desistir, também, de acreditar que alguma coisa pode ser melhor. E como nós trabalhamos com jovens e adolescentes, é uma responsabilidade gigantesca formar essas pessoas para serem do bem. E o que me motiva diariamente é acreditar que o caminho é o da educação, outra coisa não faz sentido.

- Lembra de algum caso que marcou sua trajetória como diretora?

Eu tenho vários. Mas tem um caso de um menino do 7° ano, Jonathan, que estudou com a gente em 2015 numa escola de Tempo Integral. Em 2016, ele foi chamado para participar do programa Menor Aprendiz, e a família dele é muito carente. Então, ele decidiu fazer parte do programa para ajudar financeiramente a sua família. Mas, por outro lado, ele percebeu que encarar essa nova realidade significava abrir mão do sonho de ser médico. E se ele saísse da nossa escola, ele iria perder a oportunidade de se preparar melhor nos estudos para ingressar em outra escola, também de tempo integral, do Governo do Estado.

Visto isso, ele achou melhor não participar e resolveu adiar um pouco a sua entrada no mundo do trabalho para dar prioridade ao seu projeto de vida, que é fazer medicina. E, de fato, quando ele terminou o 9° ano, foi para um colégio aqui pertinho para fazer um curso profissionalizante e técnico em enfermagem. Eu acredito muito no Jonathan, para mim ele tem muito potencial, pois só o fato de ele querer, tentar e não desistir já é alguma coisa muito boa.

E, como ele, aqui dentro da escola existem muitos casos parecidos. Outra história que eu posso contar é de um menino que estudou com a gente, terminou o 9° ano em 2015 e continua na escola como voluntário. Ele vem todos os dias no turno da tarde dar aula de reforço de matemática para os alunos do 6° ano, mesmo sem ser do programa “Mais Educação”. Eu também tenho alunos que cuidam da nossa biblioteca.

- Quais as principais estratégias desenvolvidas por você na gestão escolar?

Na realidade, muitas vezes a escola, os professores e o projeto de vida que eles imaginam são as únicas coisas que essas crianças têm como referência. E é por entender isso que apostamos em projetos sociais dentro da nossa unidade. Como por exemplo, temos o Professor Diretor de Turma, que tem a função de realizar na vida dos estudantes mudanças inimagináveis. Como o caso de um aluno que tem necessidades especiais psicológicas, além de problemas na audição e com a sua auto estima. Então, resolvemos apoiá-lo. Procurei e convidei a família para reforçar nossa rede de proteção a esse aluno. A mudança foi significativa e muito gratificante. Hoje, ele já está fazendo um acompanhamento psicológico, está fazendo o tratamento do ouvido e tem o cuidado de avisar quando vai faltar.

O Clube Juvenil é outra atividade que potencializa as habilidades dos alunos, sejam elas a dança, o teatro ou a música. Outra ação que é muito bacana é o grêmio estudantil. Acredito que fortalecer o grêmio é construir líderes. É uma maneira também de formar protagonistas, uma forma de educar alunos que se preocupam em manter limpa e organizada a escola. Outra coisa que acho fundamental é o fortalecimento do conselho escolar através de reuniões e encontros, pois quando eles tomam ciência do que está acontecendo fica mais fácil solucionar os problemas existentes dentro da escola e que envolvem também a nossa comunidade. Em 2015, quando passamos a ser de Tempo Integral, atuamos num trabalho de resgate da credibilidade da comunidade na escola.

O histórico da nossa escola melhorou muito a partir de então, o que nos deixou muito felizes, porque vejo que a nossa escola é uma das mais procuradas da nossa região. Isso mostra que a comunidade confia e acredita no nosso trabalho. São reflexos de que a educação pública está sendo eficiente.  

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